Esse artigo foi escrito pelo Enfermeiro, Professor Mestre em Enfermagem do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal da Paraíba. Doutorando em Ciências da Saúde/UFPB Sérgio Ribeiro dos Santos.
O principal objetivo do estudo que sugeriu esse artigo foi observar as atitudes dos enfermeiros e estudantes de Enfermagem em relação ao uso do computador na prática de Enfermagem.
O instrumento aplicado nessa pesquisa constou os seguintes dados:
ENFERMEIROSrestrição e barreira em relação ao computador; O computador como ferramenta de trabalho; A eficiência da informação para a Enfermagem.
ESTUDANTESAlém destes, foram identificado mais um: necessidade de educação em informática aplicada à Enfermagem no momento em que estão cursando a faculdade. As atitudes dos enfermeiros e estudantes são semelhantes
O uso do computador por enfermeiros na assistência e no gerenciamento tem sido investigado por muitos pesquisadores, especialmente em outros países. A equipe idealizadora da pesquisa realizou uma comparação entre o nível de interesse e utilidade da informática entre estudantes de enfermagem e enfermeiros e usaram seguintes temas para que houvesse esse resultado.
a) o computador e o cuidado do paciente;
b) o computador e a segurança pessoal;
c) atitudes gerais.
No Brasil as pesquisas não são tão realizadas se comparado aos EUA e Canadá. Os cursos de graduação têm implantado, nos seus currículos, a disciplina Informática na Saúde e Enfermagem. O objetivo de efetivar essas pesquisas através das respostas desse conteúdo investigar o interesse do estudante de Enfermagem do profissional que já exerce a função na disciplina alinhada à Saúde. Os resultados foram satisfatórios, mostraram que os estudantes consideram importante a permanência da disciplina no curso de graduação em Enfermagem.
A PESQUISAA população foi composta por enfermeiros da rede básica de saúde, de hospitais públicos e por estudantes de graduação em enfermagem, a partir do 4º período do curso pelo fato deles terem uma visão da atuação da Enfermagem na prática.
A amostra foi composta por 157 estudantes e 85 enfermeiros. Foi bem menor a participação de enfermeiros neste estudo devido a dificuldade em coletar dados desses profissionais no local de trabalho. O instrumento para a coleta dos dados foi composto de um questionário constituído de duas partes:
• Informações relacionadas às características demográficas da população;
• Atitudes em relação ao computador.
O questionário foi elaborado com vinte perguntas dos quais oito expressam uma atitude negativa em relação ao computador e doze expressam uma atitude positiva, com pontos variando de 1 a 5 para os enunciados positivos e o reverso para os enunciados negativos. O máximo de pontos do instrumento é 100, indicando uma atitude muito positiva em relação ao computador.
RESULTADOS E DISCUSSÃODos 180 questionários aplicados aos estudantes, apenas 87,2% (157) foram preenchidos e devolvidos, enquanto dos 100 questionários aplicados aos enfermeiros, houve um retorno de 85%
TABELA 1 Ouve uma confirmação do que outros estudos já tinham revelado, o predomínio do sexo feminino na Enfermagem.
A renda familiar entre os estudantes concentra-se na faixa de 4 a 6 salários mínimos, em 33,8% Outro dado importante que a Tabela 1 revela é a média de idade. Os estudantes apresentaram idade média de 21 anos, mínimo de 17 e máximo 44 anos. Já entre os enfermeiros, a idade média foi de 35 anos, mínimo de 22 e máximo 62 anos. Concluindo a percepção que essa categoria profissional é bastante jovem.
TABELA 2Perfil dos Enfermeiros e Estudantes diante da Informática
Com base nos resultados da pesquisa:
ESTUDANTES (70,7%) e ENFERMEIROS (61,2%)Não possuem computadores em sua casa, foi considerado que esses profissionais em sua maioria possuem renda salarial baixa, a falta de leitura sobre a informática também foi considerado já que não é tão identificado interesse por esse assunto.
ESTUDANTES (97,5%) e ENFERMEIROS (96,5%)Não tiveram a disciplina de Informática na faculdade, importante ressaltar que essa disciplina foi introduzida nos currículos dos cursos de Enfermagem no início dos anos 90, começando pelas escolas do Sul e Sudeste, até chegar ao Nordeste e, em especial, à Paraíba. Daí, a insegurança e o desconhecimento dos estudantes e enfermeiros sobre a aplicação da informática na prática de enfermagem. Porém, um resultado animador foi revelado:
ESTUDANTES (82,8%) e ENFERMEIROS (94,1%)Se sentirem motivados a conhecer a informática e aplicá-la no dia-a-dia dos cuidados de enfermagem. O resultado deste estudo sugere que estudantes e enfermeiros têm até certo ponto, uma atitude positiva em relação ao computador. Embora a amostra dos estudantes demonstre que eles têm mais experiência com o computador, não teve tanta diferença entre os dois grupos.
É médio o interesse dos Enfermeiros e estudantes de Enfermagem, mais geralmente os estudantes apresentam mais experiência com o computador do que os enfermeiros.Isso implica uma atitude positiva no grupo dos estudantes, pois começam a perceber que o computador é uma ferramenta importante de trabalho, que precisa ser conhecido e explorado para melhor assistir o paciente e gerenciar o serviço
CONCLUSÃOPara o enfermeiro na Paraíba, o computador ainda não é tão utilizado na sua pratica do trabalho. Eles não têm afinidade, uma vez que são poucos os hospitais que possuem esse recurso.
A aplicação da análise fatorial, que é uma ferramenta estatística poderosa, para a pesquisa de estudantes, foi extraída quatro fatores:
FATOR 1 – Barreiras em relação ao computador;
FATOR 2 – O computador como ferramenta de trabalho;
FATOR 3 – A eficiência da informação para enfermagem;
FATOR 4 – Necessidade de educação em informática.
Para a pesquisa de enfermeiros, foram extraídos três fatores:
FATOR 1 – Barreiras em relação ao computador;
FATOR 2 – O computador como ferramenta de trabalho;
FATOR 3 - A eficiência da informação para enfermagem.
Tantos os enfermeiros quanto os estudantes apresentaram uma atitude positiva em incluir a informática como ferramenta no ambiente hospitalar. As pesquisas não demonstraram diferença significativa na pontuação das médias, embora se constate que a amostra do grupo dos estudantes demonstre mais experiência e familiaridade com o computador do que a de enfermeiros.
Mais ambos apesar de não possuírem afinidade com a ferramenta no seu trabalho estão bem empenhados a apreender e qualificar o ambiente hospitalar buscando melhoramento nos procedimentos que serão exercidas com essa ferramenta.